sábado, 18 de agosto de 2007

Manifesto Contra a Discriminação

Esta, ao meu ver, é sim uma maravilhosa ação. Quando há 25 anos atrás, reivindiquei postura semelhante no então Conselho Estadual de Apoio às Pessoas com Deficiência - CEAPPD,fui contestado e rotulado de, mais uma vez, radical.Assim, se concordarem, e não acharem também o manifesto radical, repassem para muitos pois, estaremos disseminando e, creio, inoculando o vírus da diversidade singularidade humanas.Muito Zumbianamente, Visse!!!Manuel Aguiar

MANIFESTO CONTRA A DISCRIMINAÇÃO DE ATLETAS COM DEFICIÊNCIA E PELA REALIZAÇÃO DE JOGOS PARA TODOS
Considerando que o Esporte é evento que congrega expressivo número de participantes e simpatizantes em todo o mundo.
Tendo em vista a vastíssima e integral cobertura da mídia nos Jogos Panamericanos, com acompanhamento e torcida de todos os brasileiros, em tempo real.
Considerando que, nesta data, o Brasil consagra-se em Primeiro Lugar na conquista de mais que o dobro de Medalhas de Ouro em relação ao segundo, terceiroe quarto colocados (Canadá, México e Estados Unidos), nos Jogos Parapan-Americanos.
Em virtude dos atletas que competem nos jogos parapan-americanos serem profissionais altamente qualificados, que envidaram o mesmo nível de esforço paraconquistar suas posições, não diferenciando-se em nada dos demais atletas sem deficiência.
Considerando que a primeira Paraolimpíada foi realizada no ano de 1960 e o PARAPAN RIO 2007 está na terceira edição oficial dos jogos Parapan-americanos,legitimados pelo Comitê Paraolímpico Internacional.
Considerando que os atletas parapan-americanos brasileiros são tão brasileiros quantos os demais atletas que disputaram os jogos Panamericanos e que ambos,antes de serem atletas, são acima de tudo cidadãos.
Partindo do princípio que o Artigo 5º da Constituição Federal estabelece que "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza".
Considerando que os jogos paraolímpicos, assim como os parapan-americanos, deveriam ocorrer simultânea e paralelamente aos jogos olímpicos e panamericanos,sem distinção dos atletas em função de sua condição física, intelectual ou sensorial, apenas estabelecendo-se a mesma condição em cada competição, substituindoos jogos paraolímpicos por jogos para todos.
Considerando a absurda exclusão de atletas com deficiências intelectual e auditiva, impedidos de competirem durante os mesmos jogos participados pelas pessoascom outros tipos de deficiências.
Em virtude de buscarmos todos, no Brasil e no mundo, uma sociedade efetivamente inclusiva, em que todas as pessoas possam estar em todos os espaços e eventos,indistintamente.
Nós, do Grupo de Estudos do Estatuto da Pessoa com Deficiência, formado por cidadãos brasileiros, pessoas com deficiência, familiares, amigos e profissionaisque promovem os direitos e a dignidade humana da pessoa com deficiência, vimos a público manifestar nossa indignação e repúdio pela discriminação e exclusãoexpressas na realização dos Jogos Parapan-americanos, realizados posterior e separadamente dos demais atletas sem deficiência. Discriminação também reveladana forma de tratamento adotada pelos meios de comunicação em geral para divulgação dos Jogos Parapan-americanos 2007 e na segregação e exclusão a que sãosubmetidos os atletas brasileiros com diferentes tipos de deficiência.
Salientamos, ainda, que o espaço oferecido pelos meios de comunicação para a divulgação das honoráveis conquistas dos atletas com deficiência é infinitamente menor do que o dispensado aos demais atletas sem deficiência.
Enquanto a programação televisiva sofreu alterações substanciais em várias emissoras de canal aberto para a cobertura dos Jogos Panamericanos, acompanhadosem tempo real e ocupando significativa parte da grade de programação, os Jogos Parapan-americanos são mostrados apenas pontualmente nos horários convencionaisdos telejornais, com cobertura piegas e equivocada, ressaltando-se sempre a deficiência e aspectos da modalidade esportiva, em detrimento da performancedo atleta, como ocorre nas demais coberturas de outros jogos com profissionais sem deficiência.
Reiteramos que tem este manifesto tão somente a função de destacar a forma discriminatória com que os atletas com deficiência são tratados pela sociedadee mídia brasileiras e de ressaltar a valorosa atuação desses atletas que se valem da própria coragem, determinação, inspiração, garra e superação paramostrar ao mundo que são iguais aos demais atletas, haja visto o número de medalhas conquistadas, não havendo fundamento no desinteresse da mídia e domercado empresarial, que não investem ou empreeendem ampla cobertura dessa importante competição.
Ressaltamos ainda a urgência para que os Comitês Paraolímpicos Nacionais e Internacionais revejam a exclusão inaceitável e improcedente da realização dosjogos à parte e de pessoas com determinados tipos de deficiência que vivem o paradoxo de serem estimuladas à prática esportiva, mas se vêem toldadas departiciparem de competições nacionais e internacionais junto aos demais atletas, contradizendo-se com a atual tendência mundial de inclusão social daspessoas com deficiência.
Que o presente Manifesto alcance o objetivo de sensibilizar todos os membros das sociedades civil e empresarial e os meios de comunicação para que se despojemde seus preconceitos expressos na referida discriminação, que reconsiderem e passem a utilizar o mesmo peso e a mesma medida para a realização e transmissãodos Jogos Pan-americanos, bem como os Jogos Olímpicos, que acontecerão em Pequim, China, em 2008, para que se configurem como plenamente inclusivos, realizadospor atletas com e sem deficiência.
Brasil, 16 de Agosto de 2007
GRUPO DE ESTUDOS DO ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICÊNCIAhttp://br.groups.yahoo.com/group/estatutodapessoacomdeficiencia/Maria Isabel da Silva - Jornalista e Moderadora do Grupo de Estudos do EstatutoDiretora Geral da Associação para a Educação, Esporte, Cultura e Profissionalização da Divisão de Reabilitação do HC (AEDREHC) - Contato: (11) 5539.2942

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