sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

não existe meio termo para a acessibilidade

Sem meio termo

 

Existem algumas coisas que não possuem meio termo. Aprovação em um vestibular, por exemplo. Não é possível que um candidato tenha sido mais ou menos aprovado. Ou seu nome está na lista dos aprovados, ou não está.

A acessibilidade também não tem meio termo. Ou algo é acessível, ou não é.

Por definição, a acessibilidade pressupõe a garantia de condições para que todos tenham pleno acesso a algum bem ou a algum lugar. Há, portanto, dois critérios contemplados nesse conceito. Ninguém pode estar excluído do acesso, e este acesso precisa ser pleno, isto é, irrestrito e incondicional. Algo só é verdadeiramente acessível, se obedecer a estes dois critérios.

Em nosso dia-a-dia, nos deparamos, infelizmente, com inúmeros exemplos em que se tenta aplicar uma espécie de "meia acessibilidade":

Um determinado restaurante possui cardápio em Braille, mas este exemplar foi produzido há quinze anos, e, em todo esse tempo, nunca foi atualizado. Novos pratos foram acrescentados ao menu, os preços das refeições já foram várias vezes alterados, mas o cardápio em Braille continua o mesmo.

Um determinado produto possui, em sua embalagem, rótulo em Braille, mas esta embalagem não contém muitas das informações impressas no rótulo em tinta. O consumidor que tem deficiência visual não pode ler, por exemplo, a data de validade do produto, nem os ingredientes que o compõe.

Um determinado estabelecimento conta com uma rampa em sua entrada de acesso, mas ela é íngreme demais, de modo que seja impossível a subida de uma cadeira-de-rodas. Após algumas tentativas, a maioria dos cadeirantes desistem de subir a rampa, pois a tarefa é realmente ingrata.

Um programa de televisão possui o recurso de interpretação em LIBRAS (Linguagem brasileira de sinais), mas não possui audiodescrição, e isso faz com que os cegos percam muitas informações nele veiculadas. Os telespectadores cegos ficam excluídos da possibilidade de compreenderem as imagens exibidas durante o programa, e, conseqüentemente, não acompanham grande parte do seu conteúdo.

Uma determinada empresa se propõe a contratar pessoas com deficiências, mas restringe, no processo de recrutamento, os tipos de deficiências que deseja contemplar. Ela busca, em primeiro lugar, pessoas com deficiências físicas, (preferencialmente com aquelas deficiências que a organização considere como "leves"); em segundo lugar, busca pessoas com deficiência auditiva; em terceiro, pessoas com deficiência visual; e, por último, pessoas com deficiência intelectual.

Estes e diversos outros exemplos são casos em que a acessibilidade é posta mais ou menos em prática, e, por isso, conceitualmente, ela não acontece.

Assim como, pior do que não saber, é saber pela metade, ter algo mais ou menos acessível, muitas vezes, é pior do que não tê-lo.

Acessibilidade é portanto um conceito radical, no sentido de que só se aplica, se sua raiz for alcançada. Esta raiz constitui uma concepção clara e consistente sobre o tema. Não se pratica a acessibilidade por força de alguma lei ou decreto, mas sim, em função de uma atitude que, em sua raiz, seja coerente.

Como se pode ver, a acessibilidade traz consigo muitas exigências, porque ela realmente abala as estruturas. Analogamente, ocorre um processo semelhante ao de uma reação química. Nesse tipo de reação, os átomos precisam se rearranjar para que se chegue ao produto final, e este produto, por sua vez, tem uma estrutura diferente dos reagentes iniciais. Se esse rearranjo não aconteceu, a reação de fato não existiu.

Acessibilidade é assim: ou existe de fato, ou não existe.

 

Fonte: Cosmo On Lin

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Celulares aumentam níveis de açúcar em região do cérebro

Metabolismo do órgão é afetado após 50 minutos de uso do aparelho; estudo foi publicado na revista da Associação Médica dos EUA

 
Um estudo divulgado na edição desta quarta-feira (23) da revista da Associação Médica dos Estados Unidos (JAMA, na sigla em inglês) mostra que celulares alteram os níveis de açúcar (glicose) no cérebro, mas não chegaram a uma conclusão sobre os     efeitos do uso do aparelho à saúde das pessoas.

A pesquisa foi coordenada por Nora Volkow, dos Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos (NIH, na sigla em inglês), e contou com 47 participantes, monitorados durante todo o ano de 2009.

Os voluntários usaram o aparelho nas orelhas esquerda e direita e foram submetidos a exames de tomografia para verificar como o cérebro estava sendo afetado pela exposição à radiação do aparelho.

A comparação foi feita com o telefone ligado e desligado, mantido próximo ao corpo dos participantes durante 50 minutos. Os médicos descobriram que, embora o cérebro inteiro não fosse alterado, algumas regiões, especialmente aquelas mais próximas à antena do celular foram afetadas, com os níveis de glicose aumentando em até 7% nas áreas.

Células cancerígenas normalmente consomam um volume maior de açúcar, mas Nora Volkow e sua equipe não afirmam que o uso prolongado de celulares tenha relação com o surgimento de tumores no cérebro. "Mais estudos são necessários para analisar os efeitos no longo prazo, inclusive quanto ao aparecimento de câncer", diz a especialista.
 
fonte: G1